“O Riso dos Outros” e a nossa pobre opinião sobre piada

Quem nunca viu alguém fazendo piada sobre alguém por ser gordo, magro, baixo, alto, feio, bonito, gay, mulher? Tantos outros atributos que fazem de nós “minorias” sociais e permitem que sejamos alvos de piadas. Quem nunca viu alguém chamando um negro de macaco? Ou relacionando sexo à imagem feminina? Ou até mesmo falando sobre a dificuldade que uma pessoa gorda tem em ser aceita na sociedade?

Isso não é piada. Isso é machismo, preconceito e racismo. 

O documentário “O Riso dos Outros”, produzido e dirigido por Pedro Arantes é um tiro na relação de comédia e sociedade. É um tiro que abre nossos olhos para uma realidade que bate a nossa porta todos os dias da nossa vida. 

Durante os 52 minutos do média-metragem, humoristas como Danilo Gentili, Rafinha Bastos, Marcela Leal, a cartunista Laerte e o deputado federal Jean Wyllys foram alguns dos convidados para participarem da reflexão a cerca do machismo enraizado na sociedade que estamos lutando para viver.

Casas de comédia de todo o Brasil (quiçá do mundo) perpetuam piadas misóginas e preconceituosas como formato de zombação. No documentário, os comediantes afirmam que a estratégia é utilizada por eles para fazer com que as pessoas se identifiquem com as chacotas e realmente se identifiquem com aquilo, pois todo mundo tem a reação de rir quando tocado num assunto que é taxado como tabu.

“Se o humor precisa de uma vítima, façamos a vítima certa, não é? Porque tem tanta gente que merece apanhar. Por que bater nos negros ou nas mulheres, não é? Que já apanharam bastante. Essa é a verdade.” disse André Dahmer, desenhista brasileiro, ao falar sobre machismo e racismo presente no humor.

Eu, Júlia, sempre fiquei me perguntando o porquê desse preconceito pesado colocado em piadas, quando o correto seria rir das coisas que acontecem na vida e são irônicas, não de pessoas, minorias, seus defeitos e qualidades ou suas personalidades. Imagina você crescer ouvindo que é menos que o coleguinha por ser gordo/negro/mulher e quando crescer ver que este preconceito está mascarado de comédia/piada?

Porque zombar de um gênero ou de uma raça? Será que temos motivos para sermos diminuídos perante a sociedade em formato de “show de comédia”? Daí se inicia uma reflexão acerca da visão de mundo que o comediante apresenta.

No caso de Marcela Leal, uma comediante extremamente machista e considerada “a primeira dama do stand-up comedy brasileiro”, penso que pode ser que ela queira conquistar o público por outro meio que não seja do talento que ela tem, ou que ela quer que as pessoas realmente caracterizem ela como “a mulher que faz humor sobre gordas e que acha isso engraçado” ou também como “a comediante que faz humor pra agradar os outros e não pensa em si mesma”. Tem um trecho no documentário em que Marcela fala sobre a vizinha gorda que mora perto da casa dela e que, em um certo dia, ao cruzar com esta mulher, a moça contentou que estava triste por não ter um namorado. A piada neste caso é uma mulher gorda querer ter um namorado, dá pra acreditar?

Será que realmente alguém achou graça disso?

Fica a reflexão sobre este documentário que mexeu com meu senso crítico e balançou meu conceito de “piada”.

4 Comments

  1. Swonkie22 de novembro de 2016

    Enviamos um convite para o teu email :)

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    1. Júlia
      Júlia30 de novembro de 2016

      Oii!

      Recebido. Obrigada!

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  2. Luiza Eduarda dos Santos23 de novembro de 2016

    Eu não cheguei a ver este documentário ainda, porém, fazendo uma análise em cima do que você escreveu, estou de pleno acordo. Já há algum tempo que não vejo mais graça em piadas, inclusive porque são reprodutoras de estereótipos degradantes, ou não, contra as mais diversas categorias de pessoas. O mais triste de tudo é quando alguém te conta uma piada e você precisa fingir que gostou da piada! Beijos, querida.

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    1. Júlia
      Júlia30 de novembro de 2016

      Lu, é exatamente isso! As pessoas acham que piada é uma brincadeirinha bonita, mas na real ela ofende minorias, aquelas que a gente tanto luta para ter igualdade.

      Quando você assistir me avisa, tenho certeza que vai adorar.

      Beijos!

      Responder

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